Limpos, lixões improvisados viram área de lazer

Por 17 anos, a pedagoga Gleice de Souza Silva foi obrigada a conviver com um vizinho intolerável. O terreno verde próximo à sua casa, no Setor de Mansões Samambaia, era um verdadeiro lixão. Rejeitos domésticos, restos de obras, móveis e até animais mortos compunham o amontoado sem fim bem em frente. O GDF Presente tem mudado essa realidade. Após 150 toneladas de lixo retiradas, o local será transformado em uma área de lazer.

“Desde que me mudei para cá esse problema existe”, revela a moradora de 32 anos. Ali, já foram flagrados descarte de material eleitoral, rejeitos de funerárias e contêineres esvaziados na madrugada. “Carroceiros vinham de longe, e a população também jogava [lixo]. Chegavam a quebrar a calçada para acessar [o terreno]. Tivemos que isolar ralos, bocas de lobo e o portão, para evitar entrada de ratos e escorpiões”, conta.

A pedagoga Gleice de Souza Silva conta que já precisou isolar bocas de lobo, ralos e até o portão de sua casa, para evitar a entrada de ratos e escorpiões: realidade agora é outra 

De acordo com ela, não adiantava o governo limpar. Logo o acúmulo de entulho se formava com a ação reiterada da população. “Que bom que esse problema foi abraçado. Acho que dessa vez vai dar certo. Construindo algo no local, acho que as pessoas vão aproveitar e ter mais consciência. Vai ser um ponto de encontro e de exercícios. Só benefícios”, comemora.

“Não tem outra palavra. Era um lixão mesmo. O governo tirava, mas os carroceiros sempre voltavam, uma eterna luta. Era feio, inseguro, com mau cheiro”, descreve o arquiteto José Alis Azevedo Lima, 58 anos. “Agora não vai acontecer mais, não é possível”, espera. Ele, que faz caminhadas diárias no espaço agora recuperado, vai se beneficiar também das passagens criadas para a quadra ao lado.

“Podemos levar esporte e recreação para a comunidade dentro das nossas próprias estruturas, sem gastos extras, por meio do GDF Presente”Gustavo Aires, administrador regional de Samambaia

Do local foram retirados 15 caminhões com entulho. Em três dias, 12 maquinários fizeram os serviços de limpeza e recuperação. A área será transformada em um campo de terra e outro de areia. A demarcação do espaço é feita com pneus que seriam descartados das borracharias. Mudas também foram doadas para arborizar a área.

É o segundo lixão extinto na cidade e primeiro a receber obras que podem ser multiplicadas. O administrador de Samambaia, Gustavo Aires, revela que é feito um mapeamento para acabar com todas as áreas de descarte irregular. “Com a ação, a gente resgata um espaço público que estava ocioso, que servia para descarte irregular de lixo e, por isso, só proliferava doenças, como a dengue”, explica.  “Podemos levar esporte e recreação para a comunidade dentro das nossas próprias estruturas, sem gastos extras, por meio do GDF Presente. Nosso papel, como Estado, estamos fazendo. A comunidade precisa ter cuidado e zelo por esse espaço”.

Urbanizando o Polo Oeste

A transformação de antigos lixões em espaços de lazer e esporte já contemplou outros três pontos de Taguatinga – M Norte, Setor H Norte e Setor de Oficinas Sul – , e a ação deve ser ampliada. A intenção é que chegue a pelo menos um dos pontos limpos das outras duas cidades que compõem o Polo Oeste do GDF Presente: Brazlândia e Ceilândia. Juntas, as quatro regiões administrativas têm mais de um milhão de habitantes.

O que antes abrigava o maior depósito irregular de Taguatinga virou um campo de areia para a população. Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Na QNM 38, na M Norte, a quadra recém-inaugurada já é utilizada, especialmente por jovens. É o que conta Maria Genir, pensionista de 70 anos e vizinha do espaço antes tomado por lixo: “Moro aqui há 44 anos. Começou como entulho. Daqui a pouco, passou a aparecer carroceiro e virou uma bagunça. Com o mau cheiro, não dava para deixar portas e janelas de casa abertas”.

Maria Genir, moradora de Taguatinga, comemora nova destinação da área verde da vizinhança: “Até agora, não teve quem jogasse lixo nessa área” 

Ali ficava o que era considerado o maior depósito irregular da cidade. Agora, existe no local uma quadra de areia pública. “Acho que [o espaço] está sendo bem-usado”, avalia Maria Genir, que fica feliz em poder anunciar:  “Até agora, não teve quem jogasse lixo nessa área”.

No Setor H Norte, já foram construídos um campo de futebol e uma pista de cooper. No Setor de Oficinas Sul, a população tem acesso a outro campo de futebol de terra.

No Polo Oeste, há seis papa-entulhos. São três em Ceilândia, dois em Brazlândia e um em Taguatinga. Segundo o administrador regional de Samambaia, há planejamento para inaugurar um na cidade. Os locais são pontos de entrega voluntária (PEV) de entulho, podas, volumosos, materiais recicláveis e óleo de cozinha usado.

Fonte: Agência Brasília