Professores viram alunos em curso sobre sustentabilidade no Aterro Sanitário de Brasília

“Esperança” foi a palavra usada pela coordenadora de Mobilização do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Luana Sena, para sintetizar a tarde que passou junto a professores da rede pública de ensino do governo do Distrito Federal, participantes do curso de formação continuada Gestão Sustentável da Água e dos Resíduos Sólidos nas Escolas do DF. O módulo foi ministrado por Luana e pela assessora técnica da Subsecretaria de Gestão das Águas e Resíduos Sólidos da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Amanda Meireles. A Sema, responsável pela coleta seletiva nos órgãos do GDF, é uma das parceiras do curso.

Luana guiou os alunos a uma visita no Aterro Sanitário de Brasília e, ao final, pediu que cada um sintetizasse a experiência em um único vocábulo. O que ela escolheu define o sonho de que todos se responsabilizem por fazer a coleta seletiva.

“O objetivo de conhecer a área de disposição ambientalmente adequada dos nossos resíduos foi cumprido. Antes, a gente tinha o segundo maior lixão do mundo, na capital do Brasil. Agora, temos o aterro. É um avanço estar aqui. Minha esperança é que a gente possa diminuir aquela montanha de lixo e aumentar o tempo de vida de cada célula que recebe os resíduos”, declarou a coordenadora.

Ela destacou a importância de falar com os professores que podem multiplicar a informação e mostrar aos alunos e à comunidade escolar como valorizar a coleta seletiva. “A existência do aterro é muito gratificante. Fico muito feliz que ele exista. Os orgânicos são, em média, 50% do lixo doméstico e os recicláveis, entre 30% e 40%. Então, se cuidarmos disso, sobrará pouco para o aterro. Apenas o rejeito, o que não dá para reutilizar, reciclar ou compostar”, explica.

Para Amanda Meireles, falar sobre a cadeia da logística reversa, da responsabilidade compartilhada entre poder público, setor empresarial e consumidores mostra que a função de cada um vai muito além de separar os recicláveis dos orgânicos e do rejeito. “Atrelado à visita ao Aterro Sanitário de Brasília, [o debate] prepara os professores para se transformarem em multiplicadores no seu dia-a-dia em sala de aula”, diz.

Cantinho Verde

É o que acontece com o professor da Escola Classe 35 da Ceilândia, Marcos Pantoja, que aprovou a aula prática no aterro. Ele diz acreditar que conhecer o lugar reforça o que vem pensando na escola com relação à separação do lixo. “Reaproveitar e ter esse cuidado com o meio ambiente são nossos principais focos como professores. E o dos nossos estudantes também”, afirma.

Em 2016, um espaço desocupado atrás da escola se transformou no Projeto de Educação Ambiental Cantinho Verde. Dois anos depois, uma horta plantada com os estudantes virou o carro-chefe de várias disciplinas. “Por meio dela a gente faz a relação da educação ambiental na prática e a produção do conhecimento em sala de aula. As crianças plantam, regam, colhem, destinam seus produtos à cantina para enriquecer o lanche”, relata o professor.

O espaço de 200 metros quadrados é um verdadeiro oásis para as cerca de mil crianças, entre 4 e 11 anos, que estudam lá, desde a educação infantil até o quinto ano. O resultado, segundo ele, é que os alunos criam mais interesse por pesquisa, produção de texto, matemática. “Até o formato dos canteiros são pensados para enriquecer as disciplinas. São seis, retangulares, circulares e triangulares”, acrescenta Marcos.

Ele conta ainda que tudo o que aprende no curso, que tem carga horária de 120 horas, é repassado para os estudantes. “Por exemplo, a gente antes não separava o lixo, agora já tem a coleta seletiva. E o orgânico é reaproveitado no minhocário, para o qual as próprias crianças trouxeram as minhocas.”

Ele conclui que o caminho é fundamental para que crianças e adolescentes saibam da importância de cuidar do espaço e do lixo. “Em vez de ser descartado de forma aleatória, pode ser reaproveitado e servir de adubo para a própria horta.”

Não existe fora

A coordenadora do curso explica que o conteúdo do módulo Gestão Sustentável da Água e dos Resíduos Sólidos nas Escolas ajuda a sensibilizar os professores para o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos e dos princípios para a construção de escolas sustentáveis.

“Ele possibilita que cheguem à escola e falem com propriedade sobre resíduos sólidos para os alunos e a comunidade. Assim, a criança começa a separar o lixo na escola e vai levar hábito e atitude para casa”, observa.

Professora da Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação, Luna Lambert diz que, quando se fala no descarte de resíduos, é bom lembrar que não existe “jogar o lixo fora, porque não existe esse fora”. “Está tudo dentro do nosso habitat”, enfatiza.

 

* Com informações da Secretaria de Meio Ambiente