quarta-feira, janeiro 28, 2026
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Com drones e mosquitos wolbitos, GDF alia tecnologia e controle biológico no combate à dengue

Dispositivos aéreos foram contratados em outubro de 2025 e já sobrevoaram 22 regiões administrativas. Além disso, mais de 13 milhões de mosquitos inoculados com bactéria que impede transmissão da dengue foram soltos no DF

Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

O Governo do Distrito Federal (GDF) intensificou o combate ao mosquito Aedes aegypti em 2025 com ações que aliam tecnologia e controle biológico. Desde outubro do ano passado, drones contratados pela Secretaria de Saúde (SES-DF) sobrevoaram 22 regiões administrativas, com mapeamento de mais de 2,1 mil hectares e identificação de cerca de 3 mil possíveis criadouros. Além disso, em setembro, outra estratégia entrou em vigor com a inauguração do Núcleo Regional de Produção Oswaldo Paulo Forattini — Método Wolbachia, colocando Brasília na vanguarda do controle biológico do vetor.

As frentes de combate são coordenadas pelo Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF, que funciona como um hub de controle vetorial. O espaço reúne o núcleo de produção dos mosquitos, a central de controle dos fumacês e a base de armazenamento e distribuição de larvicidas, inseticidas, bombas costais e outros insumos utilizados contra às arboviroses.

Anderson Leocadio: “O drone funciona como um novo agente de saúde, capaz de identificar focos ocultos em grandes alturas e até realizar o tratamento químico onde o agente não consegue chegar” | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

O método Wolbachia foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros e consiste na liberação de mosquitos inoculados com uma bactéria que impede a transmissão da dengue, da zika e da chikungunya. Após 14 semanas de produção e 13 semanas de liberação, foram soltos aproximadamente 13 milhões de wolbitos, apelido para os “mosquitos amigos”, em cerca de 14 mil pontos de soltura no DF. “Protegendo o mosquito, a gente protege a população”, afirma o chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF, Anderson Leocadio.

Já o drone auxilia tanto na visualização como no tratamento dos focos do mosquito. “O drone funciona como um novo agente de saúde, capaz de identificar focos ocultos em grandes alturas e até realizar o tratamento químico onde o agente não consegue chegar”, ressalta Leocádio. Os dispositivos foram incorporados por meio do projeto Voo pela Saúde, executado pela empresa GRS80, com o objetivo de mapear 30% do território do DF. Já foram sobrevoadas cidades como Paranoá, Ceilândia, Brazlândia, Sol Nascente, Estrutural, São Sebastião, Arapoanga e Fercal.

Segundo a gerente de Vigilância Ambiental de Vetores e Animais Peçonhentos e Ações de Campo, Herica Bassani, as ações de combate, conscientização e prevenção ao mosquito da dengue são contínuas para manter o trabalho atualizado e eficaz, mas devem ser combinadas com o cuidado dos cidadãos. “Pedimos para que a população faça a sua parte e abra as portas para os agentes, que têm um olhar diferenciado e poderão te orientar da melhor maneira para não ter nenhum foco com mosquito na sua residência.” Em 2025, 362 servidores visitaram mais de 1,8 milhão de residências do DF.A gerente observa que a atenção deve ser redobrada no período chuvoso devido às características do mosquito. Uma delas é a durabilidade dos ovos em condições secas, que pode ultrapassar um ano. “A fêmea coloca os ovos acima da linha d’água e eles podem sobreviver ali no seco por mais de um ano. Por isso que, depois que chove, rapidamente o número de mosquitos aumenta, é perceptível. Em contato com a água, em 30 minutos temos a larva do mosquito e uma semana, dez dias depois, temos o mosquito adulto”, conclui.

Fonte: Agência Brasília