sexta-feira, fevereiro 20, 2026
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Teletransporte quântico é demonstrado em redes de fibra existentes com 90% de precisão

A ficção científica sempre sonhou com o teletransporte de pessoas, mas o que a Ciência acaba de tornar realidade é o teletransporte quântico em redes de fibra. Sim, temos uma realidade prática para dados, pelo menos.

Estamos diante de um marco tecnológico sem precedentes: a Deutsche Telekom (T-Labs) e a startup Qunnect demonstraram com sucesso a transmissão de informações quânticas através de 30 km de cabos de fibra óptica comerciais em Berlim, operando em paralelo com o tráfego de internet convencional.

Utilizando a plataforma Carina da Qunnect, a equipe conseguiu manter uma fidelidade média de 90% na transmissão dos qubits (bits quânticos), com picos de até 95%.

Isso é importante porque pavimenta o caminho para a viabilidade ao integrar tecnologias de ponta em infraestruturas que já possuímos, um passo decisivo para a criação da futura internet quântica.

Reprodução com IA /Deutsche Telekom

Como funciona o “teletransporte” de dados?

É necessário desmistificar que não estamos falando de desmaterializar objetos: o processo envolve a transferência do “estado quântico” de uma partícula para outra distante, sem que a partícula física viaje pelo meio.

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A mágica acontece através do entrelaçamento quântico (ou entanglement), onde duas partículas permanecem conectadas independentemente da distância.

A plataforma Carina foi fundamental para superar os desafios do mundo real. Redes de fibra enterradas sofrem com vibrações, mudanças de temperatura e ruídos que normalmente destruiriam os frágeis estados quânticos.

O hardware da Qunnect utilizou compensação ativa de polarização para estabilizar o sinal, operando no comprimento de onda de 795nm.

A frequência é estratégica, pois é compatível com diversos sistemas de computação quântica baseados em átomos neutros e sensores atômicos.

Testes simultâneos em Nova York

Enquanto a Deutsche Telekom liderava os testes na Alemanha, a Cisco conduzia uma demonstração similar nos Estados Unidos. Em parceria também com a Qunnect, a gigante de redes conectou data centers em Nova York, validando que o hardware pode operar em diferentes topologias de rede urbana.

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A Cisco focou no “entanglement swapping” (troca de entrelaçamento), uma técnica vital para estender o alcance dessas redes no futuro.

O executivo da Telekom, Abdu Mudesir, foi enfático sobre o sucesso: “Nossa rede de fibra óptica está pronta para o quantum. Provamos que a informação quântica pode ser transmitida fora de um laboratório, com alta precisão e convivendo com dados regulares”.

Mas que a comunicação quântica significa na prática?

Os testes em Berlim e Nova York superaram desafios como vibrações e variações de temperatura, mostrando que esta tecnologia pode conviver com o tráfego de dados convencional.

Para o consumidor final, as implicações diretas podem não ser imediatas. No entanto, o sucesso abre caminho para avanços na base da nossa interação digital:

  • Segurança de dados reforçada: uma futura internet quântica permitirá um nível de criptografia que é fisicamente inviolável, protegendo transações, informações pessoais e comunicações online de forma sem precedentes contra qualquer método de ataque, incluindo computadores quânticos.
  • Potencial para novas experiências em jogos e IA: a interconexão de computadores quânticos distantes, permitida por essa tecnologia, pode acelerar a pesquisa em inteligência artificial e simulações complexas. Isso tem o potencial de criar jogos com IAs muito mais avançadas e cenários de simulação incrivelmente realistas no futuro.
  • Sensores e ciência aprimorados: redes quânticas habilitarão sensores de precisão extrema em diversas áreas, desde a medicina até a exploração espacial, gerando dados que podem ser processados por uma rede de computadores quânticos para descobertas científicas.

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Próximos passos da internet quântica

Com o sucesso em ambientes urbanos e a alta fidelidade na transmissão de qubits, a comunidade de tecnologia volta-se agora para as próximas etapas de desenvolvimento e implementação.

O caminho envolve transformar esses testes em redes mais abrangentes. A exibição de detalhes técnicos e do hardware durante a MWC Barcelona, em março de 2026, será um momento importante para a disseminação e padronização da tecnologia.

Espera-se que os esforços se concentrem em:

Expansão da rede: amentar a distância e o número de nós conectados, buscando cobrir áreas metropolitanas mais amplas e, posteriormente, a interconexão de cidades.

Padronização e interoperabilidade: desenvolver protocolos que permitam a comunicação entre diferentes equipamentos e plataformas quânticas.

Disponibilização de serviços: a partir de uma infraestrutura estável, serviços de criptografia quântica poderão ser oferecidos, seguidos pela conectividade de processadores quânticos para computação distribuída.

Com a comprovação da operabilidade em redes comerciais, a comunicação quântica segura transita de uma promessa de pesquisa para uma fase de engenharia e implementação.

Fonte(s): Deutsche Telekom

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