segunda-feira, abril 13, 2026
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Seminário sobre Inteligência de Estado reúne líderes históricos da esquerda e reacende debate sobre o papel da ABIN na democracia

Um seminário promovido por servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) reuniu lideranças históricas da esquerda brasileira e abriu um novo debate sobre o papel dos órgãos de inteligência no Estado democrático. O Seminário Estratégico de Inteligência de Estado na Democracia, organizado pelo INTELIS — sindicato que reúne servidores da ABIN e ex-integrantes do antigo SNI — contou com apoio da Universidade Popular (UNIPOP) e teve como objetivo avaliar a trajetória da inteligência no país e discutir propostas de modernização institucional.

O encontro contou com palestras de quatro figuras conhecidas da política nacional: os ex-ministros José Dirceu e Ricardo Berzoini, o ex-deputado José Genoino e o ex-vereador e ex-secretário de Estado Acilino Ribeiro. Todos participaram de debates sobre o futuro da atividade de inteligência no Brasil, defendendo mudanças que aproximem o setor do Estado Democrático de Direito.

Durante sua exposição, José Dirceu defendeu a construção de uma nova política nacional de inteligência voltada para a segurança e defesa do país, com orçamento compatível com as demandas da área. O ex-ministro também destacou a necessidade de reformular a doutrina e os currículos de formação de profissionais de inteligência, tanto no meio militar quanto no civil.

José Genoino, por sua vez, afirmou que a ABIN precisa superar a lógica de “inimigos internos”, associada ao período da ditadura militar. Para ele, a atividade de inteligência deve preservar o sigilo necessário, mas também garantir mecanismos de controle externo e maior participação institucional da sociedade.

Ricardo Berzoini relembrou experiências vividas durante o período de redemocratização, quando atuava como líder sindical em São Paulo. Segundo ele, a atuação de órgãos de repressão na época envolveu relações com setores empresariais, tema que, na avaliação do ex-ministro, ainda precisa ser analisado com maior profundidade histórica.

Já Acilino Ribeiro apresentou propostas voltadas à ampliação do debate acadêmico sobre inteligência. Entre as sugestões estão a criação de disciplinas de Inteligência e Contrainteligência em cursos universitários — como Ciência Política, História e Relações Internacionais — além da expansão de programas de pós-graduação voltados à formação de especialistas na área.

A realização do seminário gerou repercussão nas redes sociais. Parte dos comentários destacou a importância de discutir o papel das instituições de inteligência em uma democracia, enquanto críticas vieram principalmente de setores da direita e de militares da reserva, que questionaram a participação de lideranças históricas da esquerda no evento.

Os quatro palestrantes possuem trajetórias marcadas pela oposição ao regime militar brasileiro (1964–1985). Durante aquele período, foram perseguidos politicamente e tiveram seus nomes citados em arquivos de órgãos de repressão, posteriormente divulgados por meio da Lei de Acesso à Informação e de decisões judiciais. Após a anistia política, todos passaram a atuar institucionalmente na política brasileira.

Segundo participantes do seminário, o evento representou um passo importante para ampliar o debate público sobre a inteligência de Estado no Brasil. Professores e estudantes de universidades como a Universidade de Brasília (UnB) e instituições do Distrito Federal já manifestaram interesse em organizar novos encontros sobre o tema.

A diretoria do INTELIS também anunciou a intenção de promover outros dois fóruns ainda neste ano: um voltado à comunidade acadêmica e outro destinado a movimentos sociais e sindicais. A iniciativa busca ampliar a discussão sobre o papel da inteligência estatal e estimular maior diálogo entre a agência, universidades e a sociedade civil.

Fonte:BSB1