Durante a Gamescom Latam 2026, evento realizado em São Paulo no início do mês de maio, tive a oportunidade de testar o game Ironhive, projeto da desenvolvolvedora brasileira Wondernaut Studio.
O game, que já tem uma versão demo disponível na Steam, ainda não tem data de lançamento, mas claramente é um projeto que merece um olhar diferenciado.
Desenvolvido pelos mesmos criadores de Aspire: Ina’s Tale, Ironhive abandona as cores vibrantes do título anterior para mergulhar em um universo pós-apocalíptico sombrio, onde a humanidade tenta desesperadamente se reerguer sobre os escombros da civilização.
Uma mistura de gêneros inesperada
A premissa central de Ironhive é a união entre a meticulosidade de um gerenciador de cidades e a profundidade estratégica de um deck building. Embora esses gêneros raramente se cruzem, a ideia nasceu de forma quase orgânica durante uma Game Jam no BIG Festival em 2022.
Segundo Bruno Klipel, diretor de tecnologia do estúdio, o conceito surgiu do desejo de experimentar algo novo e, após o sucesso inicial na competição, a equipe decidiu transformar o protótipo em um jogo completo.
No comando da sua “colmeia de ferro”, você não utiliza menus tradicionais de construção. Em vez disso, tudo é ditado pelas cartas na sua mão: desde recursos básicos e soldados até as próprias edificações e ações políticas. É um sistema que remete muito aos jogos de tabuleiro modernos, onde o posicionamento espacial é peça-chave.
As cartas de soldados, por exemplo, podem ser alocadas em pontos específicos para a extração de recursos, enquanto as construções se empilham e se expandem em uma área limitada, forçando o jogador a planejar cada centímetro da sua cidade.
Visual artístico diferenciado
Visualmente, Ironhive brilha. O estilo de arte único serve como um convite para explorar um cenário onde quase todos os cantos têm uma história para contar sobre o colapso do mundo. No entanto, a jogabilidade vai exigir atenção constante.
Um dos pilares do design é a noção de legado. O jogador não está apenas tentando sobreviver ao próximo turno, mas preparando o terreno para gerações futuras, tanto literal quanto figurativamente. Suas decisões moldam a marca que a cidade deixará no mundo, e o jogo incentiva essa visão de longo prazo através de mecânicas que permitem comparar o tamanho e a importância do seu legado com o de outros jogadores.
A curva de aprendizado é um ponto que a Wondernaut Studio está tratando com muito cuidado. A ideia é que, mesmo quem não está habituado com jogos de estratégia hardcore, consiga aprender as regras, se encantar pela arte e se divertir em sessões de aproximadamente uma hora.
Sobrevivência e progressão
Gerenciar sua colmeia envolve equilibrar o acúmulo de experiência para desbloquear novas tecnologias e a gestão imediata de recursos para sobreviver à passagem dos dias. O tempo é um adversário implacável: eventualmente, o jogo cobra impostos e recursos, e falhar em prover o necessário pode significar o fim da sua sociedade.
Para guiar o jogador, existem missões principais e paralelas, além de eventos aleatórios que aprofundam a narrativa. Esses eventos são fundamentais para a imersão, oferecendo pistas sobre o que causou o apocalipse e mantendo o jogador instigado a continuar sua jornada de reconstrução.
O que esperar do lançamento?
Atualmente, Ironhive está em sua fase final de polimento e ajustes. Embora ainda não haja uma data de lançamento cravada, a previsão é que o jogo chegue ao PC via Steam em poucos meses.
A decisão de focar no PC deve-se à natureza estratégica do jogo, que se beneficia enormemente do uso do mouse, embora um lançamento futuro para consoles não seja descartado pela equipe.
Ironhive não é apenas um jogo de cartas ou um gerenciador de cidades; é uma proposta versátil e ousada dos desenvolvedores brasileiros, que promete uma experiência atmosférica profunda.
Primeira impressão positiva
PRÉVIA | Subnautica 2 começa sólido, mas poderia soltar um pouco nossa mão

