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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Distrito Federal

STF mantém contrato do BRB com TJBA por mais 90 dias

STF mantém contrato do BRB com TJBA por mais 90 dias

Ministro Luiz Fux levou em conta risco à liquidez do banco e ao sistema financeiro caso o fluxo de depósitos judiciais seja interrompido

Foto: Divulgação/BRB

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) mantenha por mais 90 dias o contrato que garante ao Banco de Brasília (BRB) a administração de recursos vinculados a processos em curso no Judiciário baiano. A liminar foi concedida na Reclamação (RCL) 96420.

O contrato com o TJBA permite ao BRB receber e administrar valores de depósitos judiciais, administrativos e fianças, bem como recursos destinados ao pagamento de precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs). O contrato com o BRB se encerra nesta quarta-feira (26), e o TJ baiano optou pela contratação excepcional da Caixa Econômica Federal para a custódia de valores, em vez de acionar a cláusula que autoriza a prorrogação excepcional por mais 12 meses.

A ação foi apresentada pelo Distrito Federal, acionista controlador do BRB, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelo banco. O DF alega que o encerramento imediato do contrato com o TJBA poderia comprometer a liquidez da instituição, com a interrupção da entrada mensal de R$ 394 milhões mensais em novos depósitos, além de prejudicar as medidas em curso para seu reforço financeiro. A prorrogação também preservaria a continuidade do serviço e garantiria uma transição mais segura até a finalização do processo de contratação de outra instituição financeira.

Fluxo financeiro

Ao deferir o pedido urgente, Fux considerou que o encerramento do contrato poderia comprometer as medidas previstas em acordo homologado pelo próprio STF para o fortalecimento financeiro do BRB. O ministro também levou em conta que a interrupção dos novos depósitos poderia desequilibrar o fluxo financeiro da instituição.

O relator ainda verificou a possibilidade de um risco sistêmico. Segundo Fux, o agravamento da situação do BRB poderia atingir não apenas o banco e o DF, mas também o sistema financeiro, a administração da Justiça, em razão dos altos valores envolvidos, e os clientes da instituição, especialmente quem mantém no banco recursos destinados ao próprio sustento.

Crise bancária

A manutenção temporária do contrato está relacionada à Ação Cível Originária (ACO) 3755, que envolve um acordo para reforçar a situação financeira do BRB. No processo, o DF busca viabilizar um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com garantia de um conjunto de bancos e contragarantias das verbas do DF relativas aos Fundos de Participações dos Municípios e dos Estados, acompanhado do compromisso de adotar medidas de ajuste fiscal.

A crise financeira do BRB está relacionada a negociações e operações realizadas com o Banco Master que resultaram em prejuízo bilionário à instituição do DF.

Leia a íntegra da decisão.

Conexão Digital Brasília/Agência Brasília

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