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quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Economia

Índice do BC dá sinal de alerta para risco de recessão ainda em 2021

Índice do BC dá sinal de alerta para risco de recessão ainda em 2021

Como o PIB ficou negativo em 0,1% nos três meses anteriores, o país entrará em recessão técnica — que ocorre quando há queda consecutiva em dois trimestres

A queda de 0,14% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) no terceiro trimestre, divulgada na semana passada, acendeu o sinal de alerta para o risco de recessão ainda em 2021. Como o PIB ficou negativo em 0,1% nos três meses anteriores, o país entrará em recessão técnica — que ocorre quando há queda consecutiva em dois trimestres — na contramão do otimismo da equipe econômica.

Devido à deterioração da política fiscal e das perspectivas para a economia brasileira, grandes instituições financeiras, como o Itaú Unibanco, preveem queda de 0,5% no PIB de 2022, enquanto as estimativas de crescimento da economia global, pelas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), é de expansão de 4,7%.

Em 2020, quando o PIB brasileiro encolheu 4,1%, a taxa média de queda do PIB mundial foi de 3,5%. E o Brasil continua tendo desempenho pior do que a média global, apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizer o contrário. A previsão da equipe econômica para o crescimento do PIB deste ano, de 5,2%, está abaixo da média de avanço global, de 5,7%, conforme as projeções do FMI.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, reforça que a instabilidade do mercado financeiro é resultado da perda de confiança no governo e da falta de avanços na agenda econômica. “Não tivemos as reformas tributária e administrativa e, agora, surge a discussão de reajuste para servidores. A defesa da responsabilidade fiscal fica cada vez mais distante. Se o Executivo não sinalizar algo nessa direção, não será o Congresso. Em um ano eleitoral, o que não vai faltar é pedido por recursos para bases”, lamenta.

“A credibilidade do governo foi sendo perdida ao longo do mandato, e o que se viu foi a concentração de poder no Congresso e um Executivo com dificuldade de propor políticas econômicas que fizessem sentido”, avalia Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Ele ressalta que esses problemas ficaram mais evidentes neste ano. “O pior é a percepção escancarada de uso da política fiscal com objetivos eleitoreiros, de forma tão explícita, a ponto de quebrar a regra do teto de gastos, que o próprio ministro dizia ser intocável”, afirma. Ele prevê crescimento zero do PIB de 2022, e não descarta o risco de uma recessão no próximo ano.

Para os analistas, a agenda liberal prometida por Guedes e Bolsonaro durante a campanha nem saiu do papel. “Bolsonaro nunca foi liberal. Ele é, na essência, um sindicalista. Não há nenhuma surpresa”, resume o economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Para ele, o governo perdeu a condição de tocar políticas econômicas com efeito de longo prazo, e isso está se refletindo no mercado.

Na avaliação de Pessoa, um ponto positivo foi o avanço das concessões em infraestrutura, uma agenda iniciada no governo Dilma Rousseff (PT) e que ganhou corpo no governo Michel Temer (MDB). “A continuidade dessa agenda merece ser aplaudida. Mas, de resto, não teve quase nada. A reforma da Previdência só avançou graças ao Rodrigo Maia (ex-presidente da Câmara), que usou todo o capital político que tinha para aprovar”, afirma.

Fonte: Correio Braziliense