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domingo, 27 de setembro de 2026
Tecnologia

Testamos as placas de vídeo chinesas da Moore Threads: nova concorrência chegando?

Testamos as placas de vídeo chinesas da Moore Threads: nova concorrência chegando?

Até pouco tempo atrás, o mercado de placas de vídeo para o consumidor final era dominado por uma rivalidade simples: AMD ou Nvidia. Recentemente, a Intel entrou no jogo com a linha ARC, aumentando as opções disponíveis. Mas o que acontece quando uma nova fabricante surge no horizonte, prometendo balançar ainda mais essa disputa com chips desenvolvidos na China? Opção nunca é demais, e uma nova concorrente sempre chama a atenção.

Nós testamos pela primeira vez as placas da Moore Threads, uma marca que busca ser um nome relevante no mercado de GPUs, e trazemos os resultados completos de desempenho, consumo e compatibilidade.

Quem é a Moore Threads?

Em resumo, a Moore Threads tem a ambição de ser uma espécie de “Nvidia chinesa”. Fundada em 2020 — praticamente “ontem” quando comparada a gigantes como Intel (1968), AMD (1969) ou Nvidia (1993) —, a empresa carrega forte influência da gigante das placas de vídeo. Seu fundador, Zhang Jianzhong, é ex-vice-presidente global e ex-gerente geral da NVIDIA na China.

A inspiração fica evidente na própria arquitetura dos chips: em vez do CUDA, a Moore Threads utiliza a MUSA (Moore Threads Unified System Architecture). Segundo a fabricante, a MUSA possui compatibilidade completa com o ecossistema CUDA, sendo capaz de rodar softwares e instruções desenvolvidas originalmente para as GPUs da Nvidia, inclusive com suporte a Ray Tracing em tempo real.

As placas testadas: MTT S70 e MTT S80

Para colocar essa tecnologia à prova, testamos dois modelos da marca: a Moore Threads MTT S70 e a MTT S80. Em termos de construção, os dois modelos surpreendem positivamente: corpo metálico, sistema de refrigeração com três ventoinhas e iluminação LED. O acabamento não deixa a desejar em relação aos projetos de referência de AMD, Intel ou Nvidia.

Moore Threads MTT S80. Foto: Diego Kerber (Adrenaline)
Moore Threads MTT S70. Foto: Diego Kerber (Adrenaline)

No papel, as especificações técnicas sugerem uma performance em FP32 próxima a placas de entrada ou intermediárias recentes, como uma RTX 5050 ou RTX 5060. Porém, na prática, a realidade dos testes se mostrou bem diferente.

Consumo e Temperaturas

No quesito consumo de energia, o sistema atingiu picos de 350 Watts na tomada com a S80 e 300 Watts com a S70, valores relativamente altos para o nível de desempenho entregue. Por outro lado, a construção avantajada manteve as temperaturas sob controle: a S80 alcançou pico de 68 °C, enquanto a S70 não passou dos 56 °C, demonstrando que o sistema triplo de fans está até mais do que dimensionado para o calor gerado.

Desempenho Profissional e Benchmarks

Quando passamos para as aplicações de trabalho e produtividade, o ecossistema de software mostrou suas limitações. Softwares populares como Blender e Solidworks simplesmente não rodaram. Nos testes que funcionaram, a performance ficou no nível de placas de entrada lançadas há quase uma década, como a GTX 1050 Ti.

Em testes sintéticos no 3DMark Fire Strike, as GPUs conseguiram superar modelos como a GTX 1050 Ti e a RX 550, mas ainda ficaram atrás de modelos antigos populares, como a RX 580.

Performance em Jogos

Por que essas placas existem?

Entender o motivo de uma GPU ser lançada com desempenho modesto exige olhar para o cenário geopolítico. Devido às sanções econômicas e restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos, a China enfrenta um bloqueio ao acesso direto de tecnologias avançadas de semicondutores. Isso levou o país a investir massivamente em desenvolvimento local (“reserva de mercado”) para construir do zero uma infraestrutura própria de chips.

Apesar do desempenho atual ser equivalente ao de placas de anos atrás, a evolução via software tem sido rápida. Atualizações recentes de driver chegaram a aumentar o desempenho em jogos como GTA V em quase 200% em relação ao lançamento original das placas.

Além disso, após ser incluída na lista de sanções americanas, a Moore Threads redirecionou seu foco principal para aceleradores de Inteligência Artificial e supercomputação para o mercado corporativo chinês, deixando as placas para jogos em segundo plano temporariamente.

Conclusão

No estágio atual, as placas da Moore Threads não são viáveis como opção de compra para o consumidor comum que busca jogar ou trabalhar. Contudo, a iniciativa representa um passo importante na criação de um ecossistema independente de hardware. Acompanhar a evolução dessa tecnologia será fundamental para ver se a marca conseguirá, no futuro, se tornar uma concorrente real no mercado global de GPUs.

Fonte