terça-feira, junho 23, 2026
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CLDF vive impasse com homenagens à figuras controversas da política nacional


As disputas ideológicas entre os deputados distritais têm travado a apreciação de ao menos dez projetos de decretos legislativos (PDLs) de concessão de títulos para cidadãos honorários e beneméritos na Câmara Legislativa. Entre as propostas estão nomes da esquerda e da direita que geram conflito entre os parlamentares. As propostas devem ser levadas ao Colégio de Líderes desta terça-feira (23) e podem entrar na pauta de votação ainda neste semestre.

A pauta de homenagens “não consensuais” reúne de um lado os principais expoentes do bolsonarismo e da direita econômica e, do outro, figuras ligadas ao Judiciário, à esquerda e a causas sociais. Para avançar, a maioria das propostas ainda depende do crivo de comissões, como a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Conservadores

A ala ligada à direita na CLDF, capitaneada por deputados como Pastor Daniel de Castro (PP) e Thiago Manzoni (PL), é a que mais acumula projetos travados. O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (ambos do PL) estão no topo das prioridades do bloco, assim como os deputados federais Nikolas Ferreira e Bia Kicis.

A lista da direita se estende ao ecossistema militar e econômico do governo anterior. O general Augusto Heleno, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também têm suas honrarias paradas no Legislativo local. Mais antiga na fila, a senadora Damares Alves (Republicanos) aguarda apenas o parecer da CCJ desde 2022 (PDL 77/2022).

Esquerda e o Judiciário

Como resposta ou reflexo do embate político, a oposição e a ala progressista da CLDF também travam suas próprias batalhas por homenagens a figuras de forte simbolismo anti-bolsonarista.

Duas propostas concentram os holofotes deste lado da trincheira. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, considerado o principal antagonista do bolsonarismo nos últimos anos, recebeu a indicação para se tornar Cidadão Honorário de Brasília pelas mãos dos deputados Chico Vigilante (PT) e Wellington Luiz (MDB), este último presidente da Casa. O projeto segue pendente de análise na CAS e na CCJ.

Outra figura de destaque é o Padre Júlio Lancellotti, conhecido pelo trabalho social com a população em situação de rua em São Paulo, o sacerdote foi indicado em 2025 pelo deputado Ricardo Vale (PT). A proposta também não tem consenso e aguarda pareceres.

Disputa

Tradicionalmente, a entrega de títulos honoríficos na CLDF costumava ser uma moeda de troca pacífica entre os distritais, onde os projetos eram aprovados em blocos por meio de acordos de cavalheiros. No entanto, o cenário atual mostra que as honrarias viraram instrumentos de demarcação de território político.

Enquanto as comissões de Assuntos Sociais e de Constituição e Justiça não liberarem os relatórios, os projetos continuam em um limbo burocrático. Nos bastidores, a estratégia de ambos os lados tem sido o “pedido de vista” ou o esvaziamento de quórum para evitar que a homenagem do adversário político prospere, sinalizando que a paz no plenário do DF ainda está longe de acontecer.


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