O JBr Entrevista desta semana recebe o deputado distrital Martins Machado (Republicanos). Deputado pelo segundo mandato, o pastor se destaca com apoio ao esporte e pautas em defesa da família tradicional. Seu início de carreira foi ainda em São Paulo com projetos sociais, o que acabou gerando seu interesse pela política partidária, até ser eleito em 2018, como o mais bem votado daquela eleição.
Na conversa desta edição, o parlamentar fala sobre seu apoio aos novos atletas e sobre o futuro político do Republicanos, que, segundo ele, dará ênfase à Câmara Legislativa e terá a vice na chapa de reeleição da governadora Celina Leão (PP).
Em oito anos, o senhor destinou cerca de R$ 100 milhões em emendas. Como é feita essa seleção?
Nós adotamos como bandeira o esporte. Eu sou presidente da Frente Parlamentar do Esporte. A maioria das emendas — mais da metade do nosso recurso — prioriza o esporte. Por quê? Porque falamos do social e o esporte é fundamental. Não só pela educação ou saúde física, mas o esporte contribui muito para a saúde emocional. O esporte ensina honra e respeito. Os professores, seja de futebol ou de artes-marciais, são educadores. E quando é social, significa que a pessoa não vai pagar; é gratuito. Então precisamos conseguir o quimono, os tatames, para que o trabalho seja feito gratuitamente. Os pais confiam nos professores e dizem: “Ensina meu filho, me ajuda a educar”. É isso que acontece. Temos crianças na fase de formação do caráter, jovens e adolescentes. Sem falar nos adultos que, através do esporte, acabam sendo curados da depressão e da ansiedade, encontrando o equilíbrio. O retorno que o esporte traz é incrível e, por isso, destino a maior parte das minhas emendas a ele, pois sei o retorno que traz para a família e para o praticante.
O senhor tem se dedicado por apoiar o esporte amador e os centros olímpicos. Como criar atletas de nível olímpico?
Não tem jeito: é trabalho e investimento no alto rendimento e na ponta. São os “olheiros” que observam aqueles que já demonstram um “DNA diferente” para ter um desenvolvimento acima da média. Nós temos grandes atletas em Brasília; o Caio Sena é um exemplo. O que está acontecendo com Brasília é que ela está caminhando para ser, de fato, a capital do esporte. Você pode observar que, de uns anos para cá, não é só o esporte pequeno que foi promovido, mas eventos médios, grandes e internacionais. Isso influencia o atleta daqui, porque eles assistem e dizem: “Poxa, eu quero praticar”. Daqui a pouco nasce um atleta com grande potencial. É importantíssimo trazer eventos para cá. Estamos sempre contribuindo, como no Beach Tennis e em eventos internacionais. Brasília realmente está sendo a capital do esporte e tem tudo para crescer, pois todos elogiam a logística: os hotéis perto do estádio e dos ginásios. Brasília tem como se destacar em várias modalidades no cenário mundial.
O senhor formatou projetos para a instalação de placas de energia solar nas escolas do DF. Cerca de 100 mil reais já foram economizados. Como o senhor fiscaliza e como surgiu esse projeto?
Dá uma economia média de 7 mil reais por mês por escola. Eu cheguei a conversar com a Secretaria de Educação e com o próprio GDF para que esse valor retornasse para as escolas; fiz um projeto de lei para isso. Porém, já está definido que serão feitos grandes investimentos nessa área nas aproximadamente 700 escolas que temos nos próximos anos. Então, não se justifica a devolução específica para a escola novamente porque o governo já vai aplicar em todas. Na verdade, nosso projeto de lei acabou despertando algo que seria um processo lento. O governo reconheceu a importância e a economia. Teremos grandes investimentos que se espalharão pelas escolas do GDF.
Sobre as escolas do GDF e o PDAF: em qual área os recursos que o senhor destina via PDAF apresentam o melhor desenvolvimento?
Todo investimento na educação é bem-vindo. No nosso caso, investimos muito em reformas: banheiros, pinturas, bibliotecas, brinquedotecas e parquinhos. Por quê? Porque quando a criança chega na escola e se depara com um ambiente bom, é comprovado que isso ajuda no raciocínio e no aprendizado. Ela tem mais conforto com ventiladores ou ar-condicionado. Tudo isso motiva a criança a permanecer estudando e evita a evasão escolar. Esse conforto contribui muito para a educação dos alunos.
Como o senhor vê hoje a força dos evangélicos e como avalia a relação entre política e religião?
É necessário. Vou dizer o que presencio no dia a dia na CLDF. Estamos lá para ficar de olho nos projetos que podem afetar a família, a fé ou o trabalho das igrejas. A bancada evangélica é muito importante; muitos projetos nem chegam a ser colocados em pauta porque sabem que não passarão. Há uma blindagem sólida em relação a projetos que ferem a família. Nós analisamos os projetos: se não prejudicam a família, aprovamos; se prejudicam, rejeitamos. Percebo que outros deputados acabam nos acompanhando e sendo influenciados. Hoje em dia, dificilmente passa na CLDF um projeto que fira nossos princípios.
Como avalia a polarização na Câmara Legislativa, que não era tão forte no seu primeiro mandato?
Realmente, para nós que não entramos no debate dessa polarização (Lula vs. Bolsonaro), ficamos observando, mas atentos. Engana-se quem pensa que os deputados não estão atentos a cada fala. Analisamos tudo. É algo que reflete o que acontece nas ruas e nas famílias. Meu perfil é o seguinte: tudo tem um limite. Não se pode passar do limite ao ponto de desrespeitar ou ofender. Os deputados têm que dar o exemplo. Se for para definir minha posição ideológica, claro que sou conservador e meu partido é conservador. Sou pastor evangélico, mas respeito quem pensa o contrário. Por isso não vou tanto para o confronto. Tenho um olhar espiritual; dependendo de como me dirijo a uma pessoa, posso criar barreiras. Como posso falar de Deus se no plenário eu disse coisas que criam barreiras ideológicas? Procuro ter relacionamento com todos, sem abrir mão dos meus princípios e posicionamento. Se houver uma ação direta contra nós, vamos reagir, mas até hoje todos têm respeitado a nossa pessoa e nossa instituição. Torço para que os debates sejam de nível elevado, sem “baixaria”, e tomo cuidado com debates feitos apenas para filmar e postar em redes sociais para capitalizar politicamente. Eu sou da política do corpo a corpo, de ir à casa das pessoas.
O Republicanos sempre tem uma nominata forte. Como está sendo montada a nominata para a próxima eleição? Quais nomes já estão definidos?
Primeiro, demos uma atenção maior para a nominata distrital desta vez. Não gostamos do resultado da eleição passada, em que apenas eu fui eleito. Sentimos que era uma nominata para dois ou três. O Delmasso era meu companheiro; tínhamos uma estratégia de articulação nos bastidores enquanto ele ia para o debate. Quando ele perdeu e eu fiquei sozinho, falei com o grupo que não poderíamos repetir isso. Na eleição passada, canalizaram muita força para a nominata federal, que foi um sucesso (Damares, Fred Linhares, Gilvan Máximo). Agora procuramos trazer nomes. Cito eu, o Delmasso, a deputada Jane Klébia (que diz se sentir muito bem e acolhida no Republicanos), o Bispo Renato Andrade, e o delegado Fernando Fernandes (com quem converso semanalmente e está muito animado). O Fernando teve uma queda na última eleição por má condução de estratégia, mas tem potencial. Temos também o Juliano Costa Couto, que pode ser uma surpresa e já confirmou que vem. Acredito que o Fred Linhares dará muito apoio a ele. Temos também a Renata d’Aguiar. Acredito que é uma nominata para fazer três deputados. É um desafio, mas o Republicanos, o PP, o PL e o MDB têm grandes chances de fazer três cada um. Percebi que os candidatos não quiseram mais partidos pequenos; preferiram encarar o desafio em partidos maiores para ter mais chances.
O pré-candidato a vice da governadora Celina Leão é do seu partido, Gustavo Rocha será mantido ou essa aliança ainda carece de acertos?
O acordo foi muito bem-feito e amarrado: Gustavo Rocha é o candidato a vice para Celina Leão. Na política, tudo está sujeito a mudanças e imprevistos, mas, estando dentro da executiva do partido no DF, posso afirmar que Gustavo Rocha é o nome escolhido pelo Republicanos para caminhar na majoritária com a Celina.
Por fim, como o senhor visualiza seu mandato no atual contexto?
Vou repetir o que disse no início: nosso mandato é para servir. Deputado não é “senhor” de nada; somos servos da população. Eu poderia desistir da política ao ver tantos problemas, o que dá uma sensação de impotência, mas penso: se não pudermos mudar a vida de milhões, que mudemos a de milhares; se não milhares, centenas; se não centenas, que seja a de uma pessoa. Se usamos a política como ferramenta para mudar a vida de uma única pessoa, já valeu a pena. Isso nos anima a continuar.
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