Embora seja bastante popular entre os fãs do Xbox e ofereça muitas vantagens, o Game Pass não é bem-visto por muitos líderes de estúdios pertencentes à empresa. Quem afirma isso é Jason Schreier, da Bloomberg, que acredita que o serviço pode perder muitos lançamentos de Dia 1 em um futuro próximo.
Na edição 313 do podcast Triple Click, Schreier explicou que a estratégia de colocar lançamentos no serviço já fez sentido, mas isso não é mais verdade. Assim, disponibilizá-los acaba servindo somente para desvalorizar o trabalho de estúdios e passar a mensagem de que não vale pagar preço cheio por novos games.
E o jornalista explica que esse é o principal motivo pelo qual alguns líderes de estúdio odeiam o Game Pass. Afinal, ele convenceu o público a pagar US$ 15 ou US$ 20 para aproveitar um novo jogo, em vez de investir os US$ 40, US$ 60 ou mais para adquiri-lo — o que não impediu a liderança da Microsoft de continuar cobrando por boas vendas por esse preço mais elevado.
Por que a Xbox continuava apostando no Game Pass?
Conforme explica Schreier e o Windows Central, embora o descontentamento de alguns estúdios sempre tenha existido, lançar jogos Dia 1 no Game Pass trouxe bons resultados durante algum tempo. Isso porque a Microsoft via no serviço uma boa forma de concorrer com os títulos free to play disponíveis no mercado.
A lógica da empresa era a de que, ao cobrar pouco por um grande catálogo de jogos, conseguiria atrair pessoas que preferem gastar pequenos valores em títulos baseados em microtransações. E a aposta funcionou até o momento no qual o serviço deixou de crescer rapidamente.
“Houve uma época no começo em que o acesso imediato a uma grande base de jogadores proporcionada pelo serviço ajudava os títulos a alcançar uma viralidade semelhante à de jogos free to play, chegando a impulsionar vendas no varejo”, explica o Windows Central. “À medida que os hábitos de uso do Game Pass se consolidaram e as expectativas se estabilizaram, parece cada vez mais difícil quantificar os impactos positivos do serviço”.
O site também observa que, enquanto alguns jogos certamente se beneficiam do serviço de assinatura, não há como saber se essa é uma tendência geral. Isso porque a Microsoft não costuma ser transparente em relação a seus resultados internos — o que também dificulta saber o quanto lançamentos de Dia 1 impactam negativamente em vendas.
Serviço deve passar por transformações
Segundo Schreier, muitos líderes de estúdios da Xbox acreditam que, em sua encarnação atual, o Game Pass “destruiu o valor de jogos” e prejudicou a indústria. Ele também explica que o modelo é diferente daquele adotado por streamings como a Netflix, que não oferece seus conteúdos exclusivos de forma separada à assinatura que cobra.
Assim, tanto o jornalista da Bloomberg quanto o Windows Central acreditam que o serviço deve passar por grandes mudanças nos próximos meses. O consenso é que, assim como aconteceu com Call of Duty, outros jogos considerados impactantes vão deixar de ser oferecidos aos assinantes nos dias de suas estreias.
Já o Windows Central aposta em um modelo mais personalizado, no qual cada pessoa vai poder decidir exatamente o tipo de conteúdo que deseja obter. E isso pode incluir séries específicas ou até mesmo as mensalidades cobradas por jogos como Minecraft ou World of Warcraft.
Fonte: Windows Central, WCCFTech
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