Um criador de conteúdo gringo, especializado em tecnologia, conseguiu rodar Doom em um controlador de impressão fabricado há quatro décadas!
O equipamento é uma Agfa Compugraphic 9000PS, um Processador de Imagem Raster (RIP) originalmente projetado para interpretar arquivos PostScript e convertê-los em imagens para chapas de impressão de alta resolução.
A adaptação exigiu a substituição do firmware original, a instalação de uma placa de vídeo compatível com projetos de computação caseira e a adição de saída de áudio.
A arquitetura do hardware de pré-impressão
O equipamento utilizado por Adrian Black, responsável pelo canal Adrian’s Digital Basement, não é nenhum lixo eletrônico (pelo contrário).
A Agfa Compugraphic 9000PS operava como uma ponte entre os arquivos enviados por operadores de pré-impressão e as máquinas de gravação de chapas.
O dispositivo recebia arquivos PostScript independentes de resolução, processava os cálculos vetoriais e os rasterizava para a etapa seguinte da cadeia gráfica.
Por conta dessa exigência computacional, a placa-mãe principal do RIP incorpora um processador Motorola 68020 operando a 16 MHz. A placa controladora de Entrada e Saída (E/S) conectada a ela também possui uma CPU própria, modelo 68000.
Engenharia reversa e substituição do firmware original
O vídeo do YouTube concentrou parte do tempo na análise do projeto do código contido na memória ROM. O Adobe PostScript armazenado originalmente foi removido para dar lugar a um firmware personalizado baseado no código AGFA-MON, disponível publicamente no GitHub.
Esse novo software de monitoramento permitiu a criação de opções de inicialização para diferentes sistemas operacionais. O pacote incluiu um interpretador BASIC, habilitando uma camada mínima de programação diretamente no hardware.
Adaptações físicas para suporte audiovisual
A exibição de gráficos exigiu a instalação da placa de vídeo VERA de 8 bits, componente comum em montagens de computadores artesanais. A utilização dessa placa foi o passo necessário para que a imagem pudesse ser enviada a um monitor externo.
Com pouco mais de uma hora de gravação, o RIP da Agfa passou a mostrar as primeiras demonstrações visuais, sinalizando que tudo estava dando certo (pelo menos no plano conceitual). Sendo assim, Adrian Black iniciou os testes com programas do sistema operacional CP/M e seguiu para o Unix OS (Minix).
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Execução do jogo e limitações de desempenho
A versão shareware completa de Doom 1.9 foi executada no ambiente Minix. Adrian destacou no vídeo a natureza incomum do feito, que é rodar o jogo em uma estrutura que operava originalmente a função exclusiva de controlador de impressora.
De toda forma, o processador 68020, conhecido pelos usuários de máquinas antigas, como o Amiga 1200, entregou um desempenho decepcionante ao conseguir rodar Doom.
A taxa de quadros (FPS) baixa, no entanto, não representou a maior dificuldade à experiência. A ausência de suporte a teclados com padrão PS/2, sim, foi uma pedra no sapato, pois impediu o controle eficiente do personagem durante a execução.
Para finalizar, o canal conclui a demonstração reforçando o grande feito (a transformação do equipamento em uma máquina capaz de rodar games), que passou de um hardware obsoleto para uma plataforma retrô de testes, ainda que a versão de Doom ali instalada permaneça longe de ser jogável (assim como o RDR2 do nosso amigo aqui).
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Fonte: Tom’s Hardware
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